Dr Bezerra de Menezes  

           Descreve o Espírito Humberto de Campos, no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, psicografado por Chico Xavier, o momento em que Ismael, escolhido pelo Cristo para ser o anjo protetor do Brasil, comunica a um dos seus “dedicados e fiéis discípulos” que ele reencarnaria em breve, no país do Cruzeiro, com a missão de reunir os elementos dispersos para a implantação de atividades espirituais, visando ao plano de reforma e regeneração planetárias, sem deixar de adverti-lo quanto às dificuldades a serem enfrentadas ao longo da sua jornada planetária e de assegurar-lhe que não faltaria a necessária cobertura espiritual para aquele desígnio.
          “Daí a algum tempo”, revela o Espírito narrador, “no dia 29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, no Estado do Ceará, nascia Adolfo Bezerra de Menezes (Cavalcanti), o grande discípulo de Ismael, que vinha cumprir no Brasil uma elevada missão”, a qual levou a bom termo, dizemos nós, pelo seu caráter humilde, simples, devotado à causa do bem, da justiça e do amor.
          Filho de Antonio Bezerra de Menezes e de da. Fabiana de Jesus Maria Bezerra, depois de concluir seu primeiro nível de estudos no sewu vilarejo natal, foi com a família para o Rio Grande do Norte, onde completou o segundo grau.  Depois, decidiu ir para o Rio de Janeiro, o que aconteceu em fevereiro de 1851, para estudar medicina, cujo curso terminou em 1856, com excepcional aproveitamento, dados os seus elevados dotes intelectuais e vasta cultura.  Logo montou consultório com um colega de turma e ingressou nas fileiras do Exército Nacional, na função de cirurgião-tenente.
          Em 1858, casou-se com da. Maria Candida de Lacerda, que desencarnou em 1863, deixando-o com dois filhos pequeninos.  Em 1865, desposou sua cunhada, Candida Augusta de Lacerda Machado, com quem teve sete filhos.
          Em 1860, Bezerra foi convidado para entrar num dos partidos políticos existentes à época e, em 1861, foi eleito para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.  Daí, então, durante praticamente um quarto de século, ele se dedicou à política, chegando a ingressar no Parlamento Nacional, na condição de Deputado Geral, em 1867, e encerrando sua vida pública em 1885.  Foi um representante do povo dos mais combativos, respeitado por sua coragem, devotamento, trabalho incansável e patriotismo.
          Bezerra era portador de uma religiosidade imperturbável, tendo em sua mãe um exemplo vivo.  Após a morte da primeira esposa, que muito amava, passou a estudar a Bíblia, buscando respostas para a perda que, como médico, não pôde evitar.  Só as encontrou quando, em 1873, leu O Livro dos Espíritos, cujo exemplar traduzido para o português ganhou do amigo, Dr. Joaquim Carlos Travassos, e foi lendo no bonde, na viagem de volta para casa, situada no subúrbio de São Cristóvão.
          Em 16 de agosto de 1886, numa palestra pronunciada no Salão da Guarda Velha, no centro do Rio de Janeiro, para um público de mais de 2.000 pessoas, declarou-se espírita e colocou-se a serviço da doutrina.  Em 1889, tornou-se presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), fundada em 02 de janeiro de 1884.  Nos exercícios seguintes, de 1890 e 1891, ficou na vice-presidência da entidade.  Em 1895, sob orientação do seu mentor, o Espírito Santo Agostinho, reassumiu a presidência da Casa, cargo em que permaneceu até o dia da sua morte, 11 de abril de 1900, cumprindo assim a missão de apaziguar e reaproximar os grupos espíritas dissidentes do movimento espírita do seu tempo, mormente os religiosos e os científicos, além de implantar estudos doutrinários na FEB.  Acabou cognominado o Kardec Brasileiro.
          Bezerra foi um apóstolo da caridade.  Atendia todas as pessoas carentes que o procuravam e jamais lhes cobrou um só real pelas consultas.  Muitas vezes, até lhes ofereceu recursos para que comprassem remédios ou alimentos.  A um entregou a própria carteira, com tudo o que tinha dentro;  a uma mulher, deu o anel de formatura para que comprasse o que precisava.  Por isso, ficou conhecido também como O Médico dos Pobres, título que mais engalanou a sua existência na Terra.  E foi um espírita dos mais atuantes;  escreveu alguns livros, como A Loucura sob Novo Prisma, p.ex., e muitos artigos para o jornal O Paiz, hoje agrupados em três volumes intitulados Estudos Filosóficos.

Manuel Portasio Filho