Memórias de um Suicida

 

        Obra de grande impacto, colhida pela mediunidade extraordinária de Yvonne do Amaral Pereira, sob a orientação e supervisão de Léon Denis, conforme ela declara em sua Introdução, do qual recebeu atenção durante mais de vinte anos.  Depois, como prefácio à segunda edição da obra, ele mesmo, Denis, escreve algumas linhas revelando a necessidade de revisão porque ela passou, depois de muito tempo de escrita, devido aos problemas que envolviam a própria experiência encarnatória da médium, sem alterar-lhe a feição doutrinária nem o seu particular caráter revelatório.

        Embora a autora tenha tido contato com numerosos Espíritos de suicidas, no período em que elaborava o texto, um deles destacou-se por sua assiduidade e simpatia com que a distinguiu durante todo o tempo.  Foi ele o escritor português Camilo Castelo Branco, que Yvonne preferiu chamar Camilo Cândido Botelho, embora o próprio Espírito tivesse manifestado o desejo de que lhe fosse revelado a verdadeira identidade.

        Yvonne Pereira ainda revela que não se trata de obra propriamente psicografada, de vez que muitas vezes foi arrebatada do corpo físico e levada ao mundo espiritual pelo seu principal personagem, bem como por amigos e protetores espirituais, para ver cenas e entrar em contato com a realidade vivida pelos suicidas no além, para que, ao despertar, tivesse mais facilidade para compreender os Espíritos que a municiavam de informações e imagens para compor o seu trabalho.  Foi assim que pudemos conhecer o Vale dos Suicidas e o trabalho das fraternidades do espaço, que descem àquelas furnas de sofrimento e desespero levando o alívio à dor e a esperança aos corações imersos na dura problemática que criaram para si mesmos.  A Introdução do livro já traz para o leitor ensinamentos profundos acerca das nuanças do trabalho mediúnico.

        A obra é extremamente densa e de difícil travessia, mormente em relação à sua primeira parte, sendo que muitos dos que iniciam a sua leitura, não conseguem transpor seus quadros mais dramáticos e a crueza da realidade vivida por todos quantos abreviam inconsideradamente a vida corpórea, pondo termo à própria existência, por qualquer meio que seja.

        No entanto, aqueles que seguem na leitura até o final da pungente narrativa, são recompensados por encontrar na obra um verdadeiro curso doutrinário dos mais valiosos e rico em conceitos e exemplos vivos daquilo que é revelado pelos Espíritos por toda parte.  É, de fato, um dos ícones da literatura espírita de todos os tempos.

Manuel Portasio