Depois de analisarmos os dois livros que simbolizam os aspectos filosófico e científico, respectivamente, da Doutrina Espírita, chegou a vez de enfocarmos aquele que representa o seu aspecto religioso. Conforme afirmou Herculano Pires, “enquanto O Livro dos Espíritos nos apresenta a Filosofia Espírita em sua inteireza e O Livro dos Médiuns, a Ciência Espírita em seu desenvolvimento, este livro nos oferece a base e o roteiro da Religião Espírita”. Terceiro na ordem de publicação, o livro surgiu em 15 de abril de 1864, com o nome de Imitação do Evangelho. Por sugestão do editor e de outras pessoas, a partir da segunda edição a obra tomou o seu nome definitivo. O Evangelho traz a explicação da moral do Cristo, única matéria dos Evangelhos bíblicos livre de discussões ao longo dos séculos, e tem sua fundamentação filosófica no Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos.
A obra começa com os traços biográficos de Espíritos dos quais algumas mensagens foram inseridas no seu corpo. A seguir, temos uma mensagem de O Espírito de Verdade, à guisa de Prefácio. Depois, surge a Introdução, com informações importantes do Codificador; no seu final, um resumo da doutrina de Sócrates e Platão, legítimos precursores da Doutrina Cristã e do Espiritismo. Em seguida, surgem os vinte e oito capítulos da obra, que termina com uma Coletânea de preces espíritas. O Evangelho Segundo o Espiritismo é a base mais ampla da reforma íntima que nos cabe empreender. A maior parte do seu conteúdo está apoiada no Sermão do Monte, de Jesus.
O sentido mais claro da religião espírita, desprovida de quaisquer práticas exteriores, surge com o conceito de fé raciocinada: “só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade” (cap. XIX). E, em Obras Póstumas, nos deparamos com as considerações dos Espíritos que guiavam Kardec em sua elevada missão, falando acerca do significado de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Com esta obra, o edifício começa a libertar-se dos andaimes e já podemos ver-lhe a cúpula a desenhar-se no horizonte.” Herculano Pires, que também traduziu esta obra, arremata, dizendo: “Livro de cabeceira, de leitura diária obrigatória, de leitura preparatória de reuniões doutrinárias, deve ser encarado também como livro de estudo, para melhor compreensão da Doutrina.” |