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Em 1º. de abril de 1858, quando a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas abriu as suas portas pela primeira vez, foi inaugurado o primeiro centro espírita do mundo, pelo próprio Codificador do Espiritismo, Allan Kardec. Ali se realizavam sessões de estudos e pesquisa científica em torno da fenomenologia mediúnica, tão na moda naquela época.
Herculano Pires, em sua obra “Pedagogia Espírita”, pág. 127, reportando-se às bases científicas da Pedagogia Espírita, chega a dizer que elas “decorrem das investigações científicas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas sobre as condições do Espírito no mundo espiritual, suas manifestações mediúnicas e sua condição ao reencarnar-se.”
A bem da verdade, a SPEE foi criada para que Kardec tivesse a sua própria base de estudos e pesquisas para dar continuidade à sua missão de Codificador. Ela funcionava como uma espécie de laboratório, dirigido pelo Mestre lionês, tendo por instrumentos médiuns da sua inteira confiança. Hoje, porém, a realidade é bem diferente, de vez que o centro espírita é uma entidade perfeitamente integrada no seio da comunidade onde está situado.
Em outra de suas belas obras, “O Centro Espírita”, Herculano Pires diz: “Como se vê, o Centro Espírita é realmente um centro de convergência de toda a dinâmica doutrinária. Nele iniciam-se os neófitos, revelam-se os médiuns, comunicam-se os Espíritos, educam-se crianças e adultos, libertam-se os obsedados, estuda-se a Doutrina em seus aspectos teóricos e práticos, promove-se a assistência social a todos os necessitados, sem imposições e discriminações, cultiva-se a fraternidade pura que abre os portais do Futuro.” (pág. 12).
O Centro Espírita de hoje, portanto, possui múltiplas atividades, as quais buscam suprir as principais necessidades da comunidade à sua volta. Essencialmente, ele se assenta na prática dos ensinamentos de Jesus. A presença do Evangelho aqui deve ser bem nítida, pelo exercício da humildade, da caridade e do amor ao próximo. Mas, o estudo permanente da Doutrina é indispensável, tanto para os tarefeiros quanto para os frequentadores da Casa, sob pena de repetirmos velhas e surradas práticas religiosas.
A mediunidade deve ser tratada com toda seriedade e respeito, conscientizando-se trabalhadores e estudantes da sua responsabilidade e do compromisso assumido com a Espiritualidade e com Jesus. O Curso de Educação Mediúnica, por isso, deve constar da agenda de estudos de toda Casa Espírita, cuidando-se não só da sua parte teórica, mas principalmente da prática, através da qual os médiuns aprendem a lidar com os Espíritos e com as diversas nuanças da manifestação mediúnica.
Um dos serviços mais procurados por quem vai à Casa Espírita é a assistência espiritual, o passe, o tratamento. O passe não é uma criação espírita, tendo nascido mesmo entre os homens primitivos, no interior das matas. Jesus, porém, o utilizava com uma certa frequência, fazendo a imposição de mãos. E esse é o verdadeiro passe espírita. É bem verdade que, com a multiplicação da população planetária e a diversificação da problemática humana, as casas espíritas com uma estrutura mais ampla acabaram por criar tipos diferentes de passes. Quaisquer que sejam eles, porém, o passe é uma transfusão de energias, conforme ensinam Emmanuel, André Luiz e até o próprio Herculano Pires.
Entretanto, é bom que se frise que o passe em si, isoladamente considerado, não promove a cura da maioria das enfermidades que fazem as pessoas procurarem o Centro Espírita em busca de ajuda espiritual. O passe é apenas um auxílio, uma atenuante para a dor e o desequilíbrio. O verdadeiro remédio está no conhecimento que se adquire pelo estudo doutrinário, o qual se reverte em auto-conhecimento e em base para a fundamental reforma íntima que todos devem fazer para a sua própria cura ou auto-cura. Aqui, lembramos Jesus: “Vá e não peques mais!” (mudança interior).
Herculano Pires, então, em “O Centro Espírita”, pág. 103, arremata, dizendo: “As ciências e as Filosofias, as Igrejas e os Templos suntuosos não oferecem mais aos rios de lágrimas as consolações do passado... Os caudais de lágrimas se desviam, no balanço doloroso dos desesperos, para o Centro Espiritual do Mundo, que não é mais a Catedral, nem o Templo ou a Mesquita, a Sinagoga ou a Sacristia, mas o Centro Espírita. Só ali, no convívio dos corações fraternos, ao calor das palavras esclarecedoras e amigas, no diálogo mediúnico de vivos e mortos, o lenitivo brota das instruções amorosas e da compreensão da realidade invisível.”
Eis o que é, de fato, o Centro Espírita.
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